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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Três discos raros!!!

Esse post é especial, pois esses discos não saíram em cd, e trata-se de um genuíno trabalho de pesquisa e resgate do que há de melhor na música brasileira, com um passeio também pelo erudito de outras praças. A estória é a seguinte, morávamos eu e minha patroa em São Paulo e no meu aniversário de 28 aninhos ela resolveu garimpar alguns sebos na Rua Augusta. O que chegou em casa (além de um belíssimo filme de Jean Renoir) não parecia muito convidativo: uma caixa de Lps com aquele clássico logotipo da Rede Globo bem grande estampado, e nenhuma referência a artistas ou gênero musical. Mas era só abrir a 'Pandora's Box' e a coisa mudava de figura. Três disquinhos muito bem embalados, conservados, cada um com seu encarte com textos e ficha técnica... um verdadeiro achado! Ano de lançamento: 1977, gravadora Som Livre, lógico. Desconheço o propósito desse lançamento (a caixa), se foi comercial ou interno dentro dessa mega-empresa chamada Globo. Nem no enorme portal Discos do Brasil há qualquer referência. Até escrevi pra idealizadora do projeto e ela disse que tinha conhecimento desse material, mas não o tinha em sua discoteca, por isso os discos não constavam. Mas uma recente pesquisa googliana me revelou que esses discos tiveram lançamento comercial e independentes um do outro. Pelo menos os dois primeiros listados aí em baixo. O terceiro é que não achei referência alguma. Será que ele saiu apenas nesse formato? O que importa é colocar essas relíquias no mapa discográfico brasileiro, porque merecem. Então vamos às bolachas:


- Os Carioquinhas no Choro: o texto no encarte de autoria de Sérgio Cabral fala mais do centenário do choro carioca do que o grupo em si. Os músicos d'Os Carioquinhas não são creditados, e sim as particpações especiais; no texto há menção de que trata-se de uma turma jovem, entre 15 e 22 anos, e os nomes citados são Luciana, Rafael, Téo, Mário e Paulo, apesar de um septeto aparecer tocando na foto bem relax, por sinal. No Clique Music o grupo consta como Luciana Rabello/Raphael Rabello/Maurício Carrilho. Isso explica algumas coisas, não? Excelência instrumental e tudo em família... O repertório inclui 03 músicas do sergipano Luiz Americano (ói ele de novo)! Neste site dá até pra comprar o dito cujo.

- Altamiro Carrilho, Abel Ferreira, Formiga e Paulo Moura interpretam Vivaldi, Weber, Purcell e Villa-Lobos com a Orquestra Sinfônica Brasileira sob a regência de Júlio Medaglia: bom, o que acrescentar? Deu pra sentir o drama né? Simplesmente pegaram os melhores caras do choro nacional, com uma orquestra gabaritada e um maestro casca-grossa, e o resultado? Baixe ae e acredite! A peça de Villa-Lobos é especialmente maravilhosa...

- Música Popular Brasileira do séc. XIX no Vale do Paraíba: esse é realmente histórico (inclusive para quem está cursando História da Música, dá um estudo interessante). Os irmãos Régis e Rogério Duprat encabeçam esse projeto, e o que se ouve são polcas, dobrado, tango e valsa, interpretados por um baita naipe de sopros, no melhor estilo "banda de música". Diversão garantida!!!

E viva la vynil...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Abel Ferreira e o Choro

A partir de agora, passo a disponibilizar meus discos de vinil aqui no blog. Essa série é clássica, e "Classe A": a Nova História da Música Popular Brasileira saiu em 1977 pela Editora Abril, dando continuidade à série original lançada em 1971 (capas pretinhas), dos quais não tenho nenhum exemplar. Já os azulzinhos foram herança familiar, mi madre teve o bom gosto de comprar na época (02 anos antes d'eu nascer) logo a caixa com toda série. Nem metade sobreviveu, muitos se perderam, alguns doados, outros deixei com amigos antes de me mudar para SP, e fiquei com o que realmente me interessava. E chorinho muito me interessa, sim senhor! Uma particularidade dessa coleção é que, em geral, o artista que dá nome à edição é mais um carro-chefe, ou então o compositor em questão. Mas os intérpretes sempre variam, o que dá um sabor variado a cada bolacha, e quase sempre tem aquela raridade que você não acharia em canto nenhum. Fora que o disquinho de 10 polegadas é na verdade o brinde que acompanha a revista! Renomados jornalistas detalham pacientemente tudo o que tem a ver com o(s) artista(s), é conteúdo pra ler e reler pra vida toda. Como não tenho scanner, fico devendo essa bela história do Choro Brasileiro, mas copiei na ficha técnica os discos originais de cada gravação compilada aqui. Bom divertimento e divulguem esse espaço.
Viva la vynil........................................................

NOVA HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA
ABEL FERREIRA E O CHORO

A1 - Abel Ferreira - Numa Seresta (Luís Americano)
[Abel Ferreira e Filhos, 1977]
A2 - Altamiro Carrilho - Dinorá (Benedito Lacerda/ José Ferreira Ramos)
[Chorinhos em Desfile, 1959]
A3 - Dante Santoro - Quando a minha flauta chora (Dante Santoro)
[78 rpm, 1939]
A4 - Abel Ferreira - Chorando Baixinho (Abel Ferreira)
[Lp, 1976]
B1 - Severino Araújo e Orquestra Tabajara - Espinha de Bacalhau (Severino Araújo)
[78 rpm, 1959]
B2 - Carlos Poyares - André de Sapato Novo (André Victor Correia)
[Som de prata, flauta de lata, 1975]
B3 - Raul de Barros - Na Glória (Ary dos Santos/ Raul de Barros)
[Brasil Trombone, 1975]
B4 - Paulo Moura - Eu quero é sossego (K-Ximbinho/ Hianto de Almeida)
[Confusão urbana, suburbana e rural, 1976]

obs.: A faixa B1 contém um 'pulo' que não consegui tirar nem kpeste!
obs.2: Pra quem não sabe, Luís Americano é aracajuano, radicado no Rio, porém um ilustre sergipano, um dos grandes nomes do choro nacional... Mais sobre ele no disco "Vibrações" de Jacob do Bandolim.
obs.3: O grande Raul de Barros se apresentará aqui em janeiro, no Teatro Lourival Batista, no projeto Circular BR. É "só" uma lenda viva.